Um trabalho notável no topo da pilha tecnológica, mas que carece de elementos fundamentais na base.
A entrada do Big Fund na DeepSeek transforma o que era uma startup privada em instrumento de política industrial estatal.
, Founder da StartSe
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8 mai 2026
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Atualizado: 8 mai 2026
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O China Integrated Circuit Industry Investment Fund, o fundo estatal de chips conhecido como Big Fund, está em negociações para liderar a primeira rodada de financiamento externo da DeepSeek, mirando uma avaliação de aproximadamente US$ 45 bilhões. Tencent e Alibaba também negociam participação.
A operação, se concretizada, representará o selo oficial de Pequim sobre a startup que, em janeiro de 2025, provocou um dos maiores abalos do mercado financeiro global ao demonstrar que modelos de IA competitivos podiam ser treinados com uma fração dos recursos utilizados por rivais americanos.
Com o lançamento recente do V4, que fez questão de destacar compatibilidade com chips da Huawei, a DeepSeek consolidou sua posição como peça central da estratégia chinesa de construir uma cadeia de valor de IA independente das restrições de exportação impostas por Washington.
Mas a DeepSeek não está sozinha. Na mesma semana, a Moonshot AI, laboratório de Pequim que desenvolve a série Kimi de modelos de linguagem de código aberto, captou cerca de US$ 2 bilhões, atingindo avaliação de US$ 20 bilhões, um salto notável para uma empresa que valia US$ 4,3 bilhões no final de 2025.
Em conjunto, a Zhipu AI, já listada em Hong Kong, encerrou a semana avaliada em US$ 55,9 bilhões, enquanto a MiniMax fechou a US$ 33 bilhões, com ambas as ações impulsionadas pelo lançamento de novos modelos.
Em especial, os números da Moonshot são particularmente reveladores, ao passo que esta possui uma receita recorrente anual superior a US$ 200 milhões, acoplada a um crescimento acelerado de assinaturas pagas e uso de API, e um modelo (o Kimi K2.6) que já é o segundo LLM mais utilizado na plataforma de distribuição OpenRouter (um hub unificado para o acesso de diferentes LLMs).
Assim, vemos na prática que a China, mesmo submetida a restrições crescentes de acesso a hardware de ponta, responde não com recuo, mas com uma avalanche de capital direcionada a modelos que fazem mais com menos.
A dimensão estratégica desse movimento vai além de valuations e rodadas de captação. O que está se formando é um ecossistema paralelo de inteligência artificial que possui modelos próprios, chips domésticos, data centers operados por gigantes locais e uma estratégia de código aberto que constrói adoção global sem depender de batalhas regulatórias mercado a mercado.
A entrada do Big Fund na DeepSeek transforma o que era uma startup privada em instrumento de política industrial estatal, com acesso a recursos e proteção que nenhum laboratório ocidental independente possui. Portanto, à luz do que foi dito, para empresas americanas como OpenAI, Anthropic e Google, o desafio não é mais apenas tecnológico, mas fundamental.
A China está construindo algo além de modelos competitivos, ela está, de fato, erguendo uma infraestrutura alternativa completa que pode, no médio prazo, fragmentar o mercado global de IA em dois ecossistemas distintos, cada um com seus padrões, suas cadeias de suprimento e suas esferas de influência.
E, diante disso, a pergunta que Fouquet, da ASML, formulou em Beverly Hills continua reverberando: a China faz um trabalho notável no topo da pilha tecnológica, mas carece de elementos fundamentais na base. A questão é por quanto tempo essa limitação persistirá? O volume de capital sendo despejado em Pequim, como resposta, sugere que a resposta pode ser “menos do que o Ocidente gostaria de acreditar”.
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Junior Borneli
, Founder da StartSe
Fundador do StartSe, empresa de educação continuada com sede no Brasil e operações no Vale do Silício e na China. Empreendedor há mais de 10 anos, apaixonado por vendas e criação de produtos. Trabalha todos os dias para "provocar novos começos" através do compartilhamento de conhecimento.
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