Pesquisa CX Trends 2026, da Zendesk, mostra o Brasil na dianteira global de adoção de inteligência artificial pelo consumidor — e cobrando transparência das empresas na mesma proporção.
O consumidor brasileiro tem se mostrado particularmente aberto à presença de inteligência artificial nas interações do dia a dia com empresas.
, Redator
8 min
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24 set 2026
•
Atualizado: 24 set 2026
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O consumidor brasileiro não está apenas acompanhando a onda global de adoção de inteligência artificial. Está na frente dela. Segundo a pesquisa CX Trends 2026, da Zendesk, 69% dos brasileiros ampliaram o uso de ferramentas de IA no último ano — acima dos 58% registrados na média da América Latina e dos 51% da média mundial. Não é uma diferença marginal: é uma distância de quase vinte pontos percentuais entre o Brasil e o restante do planeta.
O dado, publicado em dezembro de 2025, é acompanhado por um segundo número que muda o tom da conversa: 88% dos consumidores brasileiros esperam que a inteligência artificial melhore a qualidade do atendimento que recebem das empresas. O apetite não é passivo. É uma cobrança.
Não — e esse é o ponto mais interessante da pesquisa. O consumidor brasileiro quer IA, mas quer IA com regra clara. 95% dos entrevistados afirmam querer transparência sobre como a inteligência artificial chega às conclusões que apresenta a eles. 78% valorizam explicações simples sobre decisões automatizadas — recusa educada, aprovação de crédito, recomendação de produto, o que for. E 82% relatam frustração pontual e específica: ter que repetir a mesma informação mais de uma vez durante um atendimento, geralmente porque um canal automatizado não conseguiu (ou não teve permissão para) repassar o contexto para o próximo.
Esse conjunto de expectativas desenha um consumidor sofisticado, não ingênuo: ele quer velocidade e personalização — 87% preferem experiências personalizadas, 79% esperam disponibilidade 24 horas por dia — mas não abre mão de entender a lógica por trás da resposta que recebe.
Os próprios líderes de CX ouvidos na pesquisa dizem que sim, ao menos na intenção declarada. 89% afirmam que a IA já é o principal motor das interações com clientes em suas operações. 91% dizem que a tecnologia contribui diretamente para melhorar dados e análises internas. 92% planejam implementar processos completos de garantia de qualidade sobre as interações mediadas por IA. E 97% acreditam no potencial da IA multimodal — capaz de processar texto, voz e imagem numa mesma interação — como próxima fronteira de atendimento.
O risco aqui é o mesmo que aparece em quase toda pesquisa de intenção corporativa: a distância entre o que os líderes de CX relatam pretender fazer e o que, de fato, o consumidor final experimenta na prática. Um índice de 92% de intenção de implementar QA completo não é o mesmo que 92% de operações que já têm esse controle funcionando hoje.
Existem hipóteses razoáveis, ainda que a pesquisa da Zendesk não aprofunde a causa raiz. O brasileiro é historicamente um dos públicos mais intensos do mundo em uso de aplicativos de mensagem para resolver questões do dia a dia — WhatsApp como canal primário de atendimento já era realidade antes da IA generativa se popularizar, o que criou uma familiaridade cultural com interação assíncrona e mediada por tecnologia que outros mercados não tinham na mesma escala. Some-se a isso um mercado de crédito e serviços financeiros historicamente carente de agilidade no atendimento tradicional — o que torna qualquer ganho de velocidade percebido como alívio real, não como novidade descartável.
Só é vantagem se a experiência acompanhar a expectativa que essa própria adoção cria. Um consumidor que já ampliou o próprio uso de IA em 69% no ano — mexendo em assistente de compra, atendimento bancário, suporte técnico — desenvolveu, ao mesmo tempo, um parâmetro de comparação muito mais alto do que tinha há dois anos. A régua subiu para todo mundo, inclusive para a empresa que ainda está no primeiro piloto de chatbot.
Isso transforma a estatística de 69% em faca de dois gumes: é evidência de mercado maduro para investir em IA de atendimento, e é, ao mesmo tempo, evidência de que a paciência do consumidor brasileiro com experiências malfeitas de IA está ficando mais curta a cada mês, não mais longa.
É a pergunta que separa quem vai usar essa liderança brasileira em adoção como vantagem real de quem vai ser pego de surpresa por um consumidor que já é mais sofisticado, em matéria de IA, do que a própria operação que deveria atendê-lo. Construir essa capacidade — não apenas implementar um chatbot, mas desenhar toda uma estratégia corporativa de IA com cultura, dado e processo maduros o suficiente para sustentar a exigência desse consumidor — é exatamente o tipo de trabalho estrutural que o AI FIRST ajuda lideranças brasileiras a fazer, antes que a distância entre expectativa do cliente e capacidade real da empresa fique grande demais para recuperar.
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