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65% sentem ganho com IA. Só 12% dizem que a empresa mudou

O State of the Global Workplace 2026, da Gallup, mostra que a IA aumenta a produtividade individual sem transformar as empresas. O elo que falta é o gestor.

65% sentem ganho com IA. Só 12% dizem que a empresa mudou

Inteligência Artificial (Foto: Pexels)

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

13 out 2026

•

Atualizado: 13 out 2026

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Pergunte aos profissionais se a IA os tornou mais produtivos e a maioria vai dizer que sim. Pergunte se a IA transformou o jeito como a empresa trabalha e quase ninguém vai concordar.

Esse é o paradoxo revelado pelo State of the Global Workplace 2026, da Gallup. Entre os profissionais americanos que trabalham em empresas que adotaram IA, 65% relatam impacto positivo na própria produtividade. Mas só 12% concordam totalmente que a IA transformou a forma como o trabalho é feito na organização.

A IA está funcionando para as pessoas. Ainda não está funcionando para as empresas.

Por que o ganho individual com IA não vira transformação da empresa?

Porque a produtividade individual não muda processos, estruturas nem decisões. Um profissional que escreve relatórios mais rápido continua entregando relatórios para o mesmo fluxo de aprovação, nas mesmas reuniões, com as mesmas métricas. O ganho fica com ele e se dissolve no restante da organização.

Para que a IA transforme a empresa, alguém precisa redesenhar o trabalho: decidir quais tarefas deixam de existir, como as equipes se organizam e o que fazer com o tempo liberado. Esse alguém, segundo a Gallup, costuma ser o gestor.

Qual é o papel do gestor na adoção de IA?

É o fator mais decisivo. Segundo a Gallup, profissionais que concordam totalmente que o gestor apoia ativamente o uso de IA pela equipe têm 8,7 vezes mais chance de dizer que a IA transformou o trabalho na organização. Também têm 7,4 vezes mais chance de dizer que a IA lhes dá mais oportunidades de fazer o que fazem de melhor.

Os números deixam clara a diferença entre ter ferramentas e ter um gestor que ajuda a equipe a usá-las. A ferramenta está disponível para todos. O gestor é quem transforma a disponibilidade em mudança.

Na prática, um gestor que apoia a IA faz coisas simples, mas decisivas: dá permissão explícita para experimentar, compartilha o que funciona, redesenha as entregas da equipe e protege o tempo liberado para trabalho de mais valor.

Os gestores estão em condições de liderar essa mudança?

Os dados da Gallup sugerem que não. O engajamento dos gestores caiu de 31% em 2022 para 22% em 2025, uma queda de nove pontos em três anos. O engajamento global dos funcionários está em 20%, e a Gallup estima que o baixo engajamento custa cerca de US$ 10 trilhões em produtividade perdida, aproximadamente 9% do PIB mundial.

Esse é o paradoxo central. As empresas dependem dos gestores para fazer a IA dar resultado, e são justamente os gestores que estão mais desgastados. Muitos acumulam equipes maiores, mais cobranças e menos clareza sobre o próprio papel num mundo em que a IA assume parte das tarefas que antes justificavam o cargo.

Nas organizações com melhores práticas de gestão, segundo a Gallup, 79% dos gestores estão engajados. A diferença não está no acesso à tecnologia. Está em como as empresas cuidam de quem lidera.

A IA ameaça ou ajuda os funcionários?

Depende de como ela chega. A Gallup mostra que 23% dos funcionários em empresas que adotaram IA acham provável que seu trabalho seja eliminado em cinco anos, contra 18% no total da força de trabalho.

O medo é maior justamente onde a IA está presente. Isso não significa que a tecnologia seja o problema. Significa que, sem um gestor que explique o que está mudando, por que e como a equipe vai se adaptar, a IA é vista como ameaça, não como apoio.

O gestor que apoia ativamente o uso da IA reduz esse medo porque transforma a mudança em algo que a equipe faz, e não em algo que acontece com ela.

O que as empresas deveriam fazer com os gestores?

Prepará-los antes de cobrar resultados de IA. A maior parte dos investimentos em IA vai para ferramentas, licenças e treinamento técnico dos funcionários. Muito pouco vai para preparar os gestores para conduzir a mudança.

Alguns caminhos práticos:

  • treinar os gestores primeiro, para que usem IA no próprio trabalho antes de pedir que a equipe use;
  • dar a eles autonomia para redesenhar processos e entregas da equipe, não só para adotar ferramentas;
  • incluir o apoio à adoção de IA nas metas e avaliações dos gestores;
  • reduzir a carga administrativa dos gestores, usando a própria IA para isso, para que tenham tempo de liderar.

Nenhuma dessas medidas é tecnológica. Todas são de gestão.

Seus gestores estão sendo preparados para liderar com IA?

A pesquisa da Gallup mostra que a diferença entre a IA que melhora o dia de cada um e a IA que transforma a empresa está, em grande parte, nos gestores. Empresas que investem em ferramentas e esquecem quem lidera as equipes vão continuar com profissionais mais produtivos e organizações iguais.

Preparar líderes para conduzir a adoção da IA, dando contexto, permissão e direção às equipes, é o que a AI Journey da StartSe faz com empresas que querem que a IA mude o negócio, e não só o dia de cada funcionário.

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