A 29ª CEO Survey, da PwC, mostra a IA aumentando receita para empresas brasileiras — mas o mesmo estudo revela um corte na porta de entrada do mercado de trabalho que pode custar caro daqui a três ciclos.
PWC
, Redator
8 min
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11 set 2026
•
Atualizado: 11 set 2026
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Se sua empresa está reduzindo vagas de estágio e trainee neste momento, vale entender exatamente o que está por trás dessa decisão — porque os dados sugerem que ela é mais comum, e mais arriscada, do que a maioria dos comitês executivos está admitindo.
A 29ª CEO Survey da PwC, que ouviu mais de 4.400 executivos em 95 países entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025, encontrou um número que separa o Brasil da média global: 60% dos CEOs brasileiros preveem precisar de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos, contra 49% no restante do mundo. Apenas 9% dos CEOs brasileiros preveem estabilidade nessas contratações, e 28% dizem que vão precisar contratar mais júniores — não menos.
O Brasil, portanto, não está apenas seguindo uma tendência global de cautela com vaga de entrada. Está na frente dela.
A mesma pesquisa mostra 37% das empresas brasileiras relatando aumento de receita atribuído à adoção de IA nos últimos doze meses, acima dos 29% da média global, e 28% relatando redução de custo. O detalhe que a maioria das manchetes sobre o estudo deixou passar: apenas 12% das empresas — uma em cada dez, arredondando — conseguiram reduzir custo e aumentar receita com IA ao mesmo tempo.
Isso importa porque a decisão de cortar vaga júnior costuma ser justificada como parte de uma "estratégia de eficiência com IA" mais ampla. Os números da PwC sugerem que a maioria das empresas ainda não sabe extrair as duas pontas do valor da IA simultaneamente — o que enfraquece o argumento de que cortar entrada de carreira hoje é, de fato, consequência direta e comprovada de ganho de produtividade com IA.
Uma reportagem do The Shift traz um dado que complica a narrativa simples de "IA substituiu o júnior": a desaceleração nas vagas de entrada de carreira começou antes de meados de 2022, data de lançamento do ChatGPT. A análise, que cita o mapeamento do Financial Times sobre milhões de vagas de emprego feito com dados da Lightcast, sugere que a IA funciona hoje mais como fator psicológico de justificativa de corte do que como causa direta e isolada da eliminação dessas vagas.
Em outras palavras: parte do corte de vaga júnior que está sendo anunciado como "decisão orientada por IA" pode ser, na verdade, ajuste de custo que já estava em curso — só que agora encontrou uma explicação mais fácil de comunicar ao mercado e ao conselho.
O mesmo texto do The Shift traz o argumento que deveria estar em toda pauta de comitê executivo discutindo esse corte: reduzir vaga de entrada agora cria um vazio de expertise e de liderança em dois a três ciclos de carreira à frente, justamente quando essas pessoas estariam prontas para ocupar posições de gestão intermediária e, mais adiante, de liderança sênior.
Bob Sternfels, CEO global da McKinsey, tocou no mesmo ponto em declaração na CES 2026 citada pela reportagem: o risco não é apenas de curto prazo. É estrutural, e afeta diretamente o pipeline de liderança que qualquer empresa vai precisar daqui a uma década — o mesmo pipeline que, como mostram outras pesquisas de sucessão no Brasil, já preocupa 78% dos líderes locais.
Outra mudança de comportamento identificada nesse cenário é qualitativa, não apenas numérica: em vez de contratar para formar ao longo dos anos, empresas estão buscando profissionais no início de carreira capazes de operar em nível próximo ao intermediário desde o primeiro dia — gente que já chega sabendo estruturar problema sozinha, sem o período de aprendizado que antes era considerado normal e até desejável.
Isso é, na prática, uma transferência de custo de formação da empresa para o próprio profissional júnior — que agora precisa chegar pronto, sem que ninguém tenha claramente dito onde ele deveria ter adquirido esse preparo.
Cortar vaga júnior pode ser economia real de curto prazo ou pode ser a decisão que deixa sua empresa sem sucessor interno pronto daqui a oito anos — e os dados da PwC, do The Shift e da própria McKinsey sugerem que a maioria dos comitês executivos ainda não fez essa conta com honestidade. É esse tipo de decisão estrutural, e não apenas a adoção pontual de ferramenta, que separa empresa que usa IA com critério de empresa que está apenas cortando custo em nome dela. É exatamente esse critério que o AI FIRST ajuda lideranças brasileiras a desenvolver — a transformação com IA que considera o custo de longo prazo, não só o resultado do próximo trimestre.
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