O conceito por trás da Argent, startup que reinventou a moda feminina no mercado de trabalho

Criada por Sali Christeson, a marca aposta na versatilidade em suas peças e em espaços com oficinas de carreira, treinamentos e networking

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Ex-funcionária de empresas de serviços financeiros e tecnologia, Sali Christeson trabalhou por dez anos em grandes companhias, em São Francisco (EUA). Até criar coragem para fundar a marca de moda feminina Argent, em 2016.

Desde então, ela ganhou os holofotes, e é cada vez mais reconhecida como uma das jovens empreendedoras que está reinventando a moda para trabalho, mas também o jeito de fazer negócios na indústria da moda.

A startup ganhou notoriedade não por fazer roupas com impressoras 3D ou ter uma sofisticada plataforma digital. Christeson lançou a sua startup em um esforço para resolver um problema seu e de muitas mulheres. Ela afirma que não conseguia encontrar roupas de trabalho elegantes e funcionais.

O gatilho para partir para a ação e empreender veio depois que ela conheceu estatísticas que mostravam que as mulheres são julgadas, mais do que os homens, pela sua aparência no local de trabalho. E isso afeta as suas carreiras ao longo do tempo.

“As roupas que você usa afetam a percepção das pessoas sobre você, o que acaba influenciando a sua trajetória de carreira e sua renda ao longo da vida”, diz ela. Deste incomodo, nasceu a Argent. A startup é inovadora pela maneira como se posiciona no mercado de moda feminina. A marca adotou uma causa, que comunica de forma eficiente em suas redes sociais. A estratégia de marketing e relacionamento com suas clientes são outros diferenciais.

No Brasil, talvez a marca carioca Reserva tenha um posicionamento similar, só que para causas sociais. A Argent é uma marca para mulheres que querem projetar confiança e poder. De largada, a startup de vendas diretas e online às consumidoras fez uma parceria com o WeWork para criar minilojas pop-ups para as mulheres que usam o escritório de espaço compartilhado. As clientes podiam conhecer os modelos, consultar tamanhos e comprar online, para então receber em casa suas compras.

Para atrair mais clientes, Christeson começou a criar oficinas de carreira e networking no WeWork, com o objetivo de discutir os desafios das mulheres na gestão de suas carreiras e de suas finanças. Deste trabalho, nasceu uma comunidade engajada de fãs da marca. Com uma estética levemente subversiva, a Argent rapidamente caiu na graça das mulheres contemporâneas.

Uma imagem no Instagram da marca mostra duas mulheres de terno com post-its na testa com as palavras “agressivo” e “mandão”, como uma maneira de se opor aos estereótipos de mulheres trabalhadoras, que incorporaram atitudes masculinas.

Visão centrada na cliente

Desde o início, Christeson conta que procurou o feedback das clientes para saber o que achavam de suas criações. Isso permitiu que ela tomasse alguns riscos de forma consciente. Quando ela lançou a empresa, uma pesquisa que caiu em suas mãos mostrava que na indústria 80% dos ternos vendidos são de cores escuras como azul e preto. Apenas 20% deles são de outras cores. Isso fez com que ela apostasse em costumes coloridos, cujas clientes aprovaram.

Agora, 80% das roupas vendidas pela Argent são coloridas. Christeson acredita que isso tem a ver com o fato de muitos ternos coloridos no mercado apresentarem cortes justos que nem sempre são adequados no local de trabalho, enquanto o Argent geralmente cria ternos coloridos, mas que são equilibrados, quanto se trata de sobriedade e “alegria”.

Além disso, as peças coloridas são projetadas para serem usadas de várias maneiras – seja virando de dentro para fora ou vestindo uma camiseta. “Para nós, tudo tem a ver com versatilidade”, diz Christeson. “Trata-se de projetar trajes que você pode facilmente misturar e combinar com seu guarda-roupa existente. Você pode usar uma jaqueta rosa elétrica como parte de um terno ou com jeans e uma camiseta.” Goste ou não, as clientes curtiram.

Com mais fãs, a marca começou a atrair o olhar de investidores. Em fevereiro, Peter Thiel, co-fundador do PayPal, que tem investimentos em gigantes como Airbnb, Lyft, Spotify, SpaceX, investiu US$ 4 milhões na Argent.

O dinheiro agora está sendo usado para expandir a marca, originalmente de São Francisco, para a cidade de Nova York. O novo espaço da Argent, no bairro do Soho, conta com uma área de cowork, para que suas clientes possam fazer reuniões particulares, telefonemas ou simplesmente enviar alguns e-mails, utilizando a rede wi-fi do local.

O mesmo lugar oferece oficinas de carreira e treinamentos de negociação, planejamento financeiro e gestão do tempo. Christeson planeja expandir esse tipo de conceito, caso a experiência em Nova York seja bem-sucedida.

A decisão de expandir a pegada física de varejo da Argent faz sentido. No setor de moda, os designers estão aproveitando a tendência crescente do vestuário de trabalho, fornecendo coleções para o estilo de vida das nove às seis.

E embora esse momento seja perfeito para Christeson, ela sabe que uma vez que o pêndulo da tendência mude para outra estética, a cliente de roupas de trabalho – e da Argent também – permanecerá. “A diferença é que temos uma marca em cima disso, e o consumo acontece quando alguém vê uma marca como sua amiga e seus valores estão alinhados”, diz a empreendedora. “Isso gera muita lealdade, e é por isso que sinto que estamos realmente capturando quem queremos e realmente ressoando em uma ampla faixa demográfica.”A Argent é uma marca que está na vanguarda da revolução do vestuário de trabalho, oferecendo peças funcionais, de alta qualidade e únicas que equipam as mulheres que querem vencer dentro e fora do ambiente de trabalho.

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