Startup de e-commerce B2B, Gaveteiro mira receita bilionária com parceria e aquisição

Joshua Kempf, CEO e fundador da startup, afirmou em entrevista exclusiva que startup mudará de marca e vai se posicionar como Grupo NEI em 2020

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Quando o norte-americano Joshua Kempf decidiu largar seu emprego como executivo do banco Goldman Sachs para empreender no Brasil, em 2012, ele foi pesquisar a fundo o mercado do e-commerce. O que notou foi uma série de lojas de nicho crescendo – de artigos esportivos, moda, produtos para pets e tantos outros – no modelo B2C. A venda direta para empresas, no entanto, tinha pouca relevância em meios digitais. Neste cenário, ele teve a ideia de criar o Gaveteiro, ao lado do sócio alemão Benedikt Voller.

O Gaveteiro é um marketplace que vende todo tipo de produto B2B: para indústrias, escritórios, lojas, restaurantes e qualquer estabelecimento comercial. Hoje, ele conta com uma variedade de 270 mil produtos de milhares de fornecedores, 30 mil ítens vendidos por dia e 5 mil clientes. O foco, no entanto, é em suprimentos industriais.  Desde o início da operação, em 2013, a startup levantou R$ 35 milhões em investimentos.

Em entrevista exclusiva à StartSe, Joshua Kempf afirma que, embora tenha enorme potencial de receita, o mercado B2B é pouco conhecido pelo público em geral. “Gosto da ideia de ser um negócio que está fora do radar, que é gigante, mas ninguém ouve falar”, diz o empreendedor.

Para crescer neste mercado, o importante foi entender que as dores das empresas são diferentes da do cliente comum. “O comprador PJ não quer receber várias notas fiscais, uma para cada vendedor. Ele não vai rastrear três ou quatro entregas diferentes. Têm tantas regras de compliance nas empresas, toda uma burocracia para cada compra”. Neste sentido, o Gaveteiro reúne toda a cadeia de logística e cobrança: independente de quantos fornecedores diferentes houver em uma mesma compra, a entrega e a nota fiscal são únicas e realizadas pela própria startup. Ela tem centro de distribuição na Grande São Paulo.

Aquisição e parceria

Joshua Kempf tem a meta ousada de atingir R$ 3 bilhões em receita e, para isso, estima ser necessária uma base de 250 mil clientes. Uma das estratégicas para chegar neste patamar foi adquirir o Grupo NEI, que tem 45 anos de experiência e reconhecimento como produtor de conteúdo e reviews de produtos do mercado industrial. O empreendedor, inclusive, tomou a decisão de, a partir de 2020, abandonar a marca Gaveteiro e se posicionar apenas como NEI.

“Com o conteúdo do NEI, o marketplace e a logística do Gaveteiro, estamos fechando toda a cadeia” explica. O conteúdo gera os leads, que já são direcionados para a página de vendas onde o comprador, em poucas etapas faz a aquisição.

Também faz parte da estratégia de crescimento da startup a parceira, anunciada em junho, com a norte-americana Grainger. A empresa é a maior vendedora de suprimentos industriais em e-commerce dos EUA, com faturamento anual de US$ 11 bilhões.

A partir de agora, o estoque da Grainger está integrado no marketplace do Gaveteiro. A parceria atende principalmente a clientes que buscam produtos muito específicos que requerem a importação, tornando este processo de compra no exterior bem mais simples.

Outra parte importante do plano de crescimento da startup – que dialoga com o propósito da empresa de fomentar a indústria nacional – é financiar equipamentos aos compradores. Com taxas menores que bancos tradicionais, e sem a mesma burocracia, o Gaveteiro oferece linha de crédito para que as empresas possam investir na própria estrutura. E, por outro lado, o Grupo NEI (como será chamado em breve) ganha tanto com a venda quanto com o financiamento.

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