Beetools: a “escola inteligente” que usa realidade virtual para ensinar inglês

Iniciativa traz a realidade virtual e a inteligência artificial para reinventar as aulas de inglês; alunos recebem medalhas por cada lição concluída e trocam por recompensas reais

0
shares

Apesar de entender a importância de aprender a língua, Fabio Ivatiuk, cofundador e presidente da Beetools não gostava das aulas de inglês. Justamente por esse motivo, o empreendedor decidiu abrir uma franquia de escola de idiomas para tentar revolucionar o setor.

Criada em julho de 2018, hoje a Beetools utiliza a realidade virtual para ensinar o idioma. Mas demorou até Ivatiuk encontrar esse modelo de negócios. No começo, ele tentou deixar a experiência de ir à escola mais interessante ao disponibilizar simuladores de corrida de Fórmula 1, videogames e até aulas de culinária em inglês.

Funcionou, mas não resolveu completamente o problema. “Na hora de o professor falar para ir para a sala de aula, os alunos desanimavam. O palco principal, que é a sala de aula, era o que eles menos gostavam. Então procuramos outra forma de inovar nesse mercado”, comentou o fundador da Beetools na Edtech Conference, evento da StartSe focado nas principais inovações da educação que acontece nesta quinta-feira (21). Acompanhe o evento em tempo real.

Além do desinteresse, Ivatiuk e outros donos de escola também tinham que lidar com a taxa de evasão de alunos. “Eles não estavam indo para a concorrência, estavam parando de estudar porque não aguentavam a mesma aula de inglês. Alunos que começavam com 4, 5 anos de idade, desistiam ao chegar nos 10 anos”, explicou.

Foi ao perceber que os livros de ensino ainda faziam referências a tecnologias cada vez menos utilizadas – como o vídeo cassete e os DVDs -, Ivatiuk entendeu que o problema era a metodologia. Não bastava apenas inovar, era preciso ensinar de uma forma completamente diferente.

“Percebemos que o vocabulário era muito desatualizado, fora do que realmente é utilizado no dia a dia, com expressões que caíram em desuso. O que o aluno vê no seriado não está no livro dele na escola. Aqui a gente começa com um ponto muito importante: faz sentido para ele?”, questiona. A resposta era claramente negativa.

O papel da realidade virtual

É com a realidade virtual que a Beetools traz um novo significado para o aprendizado de inglês. Ao trazer simulações reais de vida, como uma ida ao mercado ou à farmácia, a facilidade do aluno em reter as informações ensinadas aumenta. “O personagem do aluno evolui de acordo com a evolução do inglês dele”, comenta.

Ainda trazendo o mundo dos seriados para a escola de idioma, é deixando o aluno curioso do que irá acontecer no próximo módulo que a Beetools o instiga a continuar. Dessa forma, a edtech combate também as taxas de evasão.

O contato com a tecnologia continua mesmo ao sair da sala de aula. Os alunos têm acesso ao aplicativo da escola e podem fazer as lições de casa digitalmente. A gamificação passa a atuar novamente no processo, pois os alunos recebem medalhas (de ouro, prata e bronze), por cada lição concluída.

Depois, eles podem trocar as medalhas por recompensas reais como camisetas e mochilas. “Muitas pessoas subestimam o poder da gamificação. Imagina que você está fazendo uma prova e cada vez que erra uma questão, você tem que começar de novo. Isso é horrível. Imagine agora que nessa prova existe um encanador italiano que faz exercícios e cada vez que erra, você tem que voltar para passar uma fase?”, questiona, comparando a lição de casa a um jogo do clássico encanador Mário Bros.

Watson: a inteligência artificial auxilia a perceber os erros

Com a gamificação, aumentou o índice dos alunos que fazem lição de casa. “Nesses sete meses, 74% dos alunos estão fazendo lição de casa. Antes de implementarmos esse modelo de tecnologia, esse número era menos de 20%”, afirmou Ivatiuk.

A melhora é positiva porque, nesse contexto, a lição de casa passou a ter uma importância ainda maior para os professores e alunos. A inteligência artificial da IBM, o Watson, acompanha as respostas de cada aluno e, ao perceber um erro, os corrige.

“O aplicativo está dando feedback, mostrando no que as pessoas estão errando e acertando. Se eu apenas disser que a pessoa errou, ainda não resolve o problema do aluno”, explica o fundador da startup. Dessa forma, a inteligência artificial ainda realiza relatórios para identificar o desempenho dos alunos, trazendo mais inteligência de dados aos professores.

A Beetools no país

Atualmente, a escola possui unidades no Paraná, em São Paulo e em Alagoas. Recentemente, a Beetools começou a apostar no formato “InSchool”, na qual traz aulas para dentro de outras escolas. Neste novo modelo, a Beetools está operando também no Mato Grosso.

Foto: Eduardo Viana

Atualize-se em apenas 5 minutos


Receba diariamente nossas análises e sinta-se preparado para tomar as melhores decisões no seu dia a dia gratuitamente.

Comentários