Porque decidi ir para a China e o que encontrei quando cheguei lá

Conheci uma sociedade que foi moldada por outra lógica e descobri um ecossistema de profissionais dos quatro cantos do planeta, dirigindo empresas em seus laptops enquanto tomam cafés no norte da Tailândia. Por Luciano Drehmer

Porque decidi ir para a China e o que encontrei quando cheguei lá

Conheci uma sociedade que foi moldada por outra lógica e descobri um ecossistema de profissionais dos quatro cantos do planeta, dirigindo empresas em seus laptops enquanto tomam cafés no norte da Tailândia. Por Luciano Drehmer

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*Por Luciano Drehmer, sócio e Chief Design Officer da Jackalope Media em Salt Lake City, EUA. Viveu durante três anos na China, tendo trabalhado como consultor de design na Amazon e Valuelink Corporation.

Olá! Meu nome é Luciano Drehmer e eu sou consultor de design. Eu vivi, trabalhei e desenvolvi projetos na China e em outros países da Ásia por alguns anos. Lá, eu aprendi que existem muitos tópicos urgentes no mundo, mas a China talvez seja o maior deles. No mundo contemporâneo, sinto hoje que se você não entende a China, não faz ideia do que está acontecendo no planeta.

Inauguro hoje minha coluna na StartSe e quero contar para você um pouco sobre o design, ambiente de negócios, estilo de vida e as inovações na China e na Ásia. Você já se perguntou como eles fazem negócios com o Ocidente e por que a China está se tornando o poder político e econômico mais influente do planeta?

A Ásia concentra a maior parte da população do nosso planeta e tem ganhado, aos poucos, os noticiários do ocidente. Entretanto, ela ainda permanece como uma incógnita do lado de cá do mundo. Essa foi a minha primeira motivação para iniciar essa jornada – é lá onde o futuro da humanidade e vanguardas da tecnologia tem sido definidas de diversas formas. A economia do Brasil não ia bem e a asiática parecia bem promissora e essa decisão foi natural para mim.

Fonte: Banco Mundial

Em 2016, eu conheci o site nomadlist.com, que indexa as principais cidades do mundo e mostra métricas de lugares com alta qualidade de vida e baixo custos para nômades digitais, como são chamadas as pessoas que trabalham remotamente enquanto percorrem o mundo. Nesse ano, Chiang Mai, na Tailândia, estava em primeiro no ranking – eu estava muito interessado em trabalhar com mais qualidade e por menos horas, então fiz minhas malas e fui para o Oriente.

Fonte: Nomadlist.com

Chegando lá, descobri um ecossistema de profissionais dos quatro cantos do planeta aglomerados no meio da Ásia, dirigindo empresas em seus laptops enquanto tomam cafés no norte da Tailândia. Hoje, a comunidade “Chiang Mai Digital Nomads” do Facebook concentra quase 30 mil pessoas.

Já nos meus primeiros meses, conheci pessoas que trabalhavam com empresas da China e pintou uma oportunidade para eu trabalhar em Shenzhen. A China, especificamente, era um local que eu jamais havia planejado visitar no continente asiático, mas a curiosidade que tive no momento era maior do que em qualquer outro lugar do mundo.

Shenzen é “O Vale do Silício da Ásia”, segundo a revista Wired. Eu já havia lido bastante sobre a cidade, mas a grande maioria das pessoas nunca ouviu falar. É que Shenzen não era mais do que uma pequena vila de 30 mil habitantes em 1992 – hoje, sua população de 12 milhões de habitantes ultrapassou a sua vizinha, Hong Kong. Eu aprendi que na China é assim – eles levantam uma cidade do tamanho de São Paulo em poucos anos, contando até com uma grande malha metroviária. Infraestrutura, para eles, não é problema.

Mas, mais do que infraestrutura, eu encontrei uma sociedade que foi moldada por outra lógica. Qual é o resultado disso? Valores e comportamentos diferentes - nossa referência cultural vem do cristianismo e a deles, do confucionismo. Imagine centenas de anos sendo influenciados por outro ponto de vista, adicione um pouco de maoísmo, socialismo e ultra capitalismo – o resultado disso é o lugar mais estranho e fascinante em que já estive.

“The Chinese never stops, they always move forward”. (Os chineses nunca param, eles sempre seguem em frente). Essa foi a primeira coisa que aprendi quando cheguei na China. Como descrever a agonia que eu senti no dia a dia pela ansiedade e pressa que eles têm em fazer tudo para ontem? Os chineses não irão desviar de você na rua e vão buscar resolver tudo no agora – para eles, a atitude é mais importante do que qualquer plano.

Nas próximas semanas, eu lhe contarei desde seus estranhos hábitos – do nosso ponto de vista! – até o contexto cultural, transformações políticas e como é trabalhar na China. “The Chinese never stops, they always move forward” será nosso tema da coluna na próxima semana. Até lá!

Quer conhecer as maiores novidades do ecossistema chinês? Participe do China Day – evento da StartSe que trará as inovações e especialistas da China direto para o Brasil!

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