Conexão entre grandes empresas e startups. Bobagem!

Quantas empresas poderiam se beneficiar desse movimento e não o fazem por acharem que esse tipo de iniciativa não é para elas por não serem “grandes”?

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A expressão “conexão entre grandes empresas e startups” virou um mantra no ecossistema brasileiro nos últimos anos. Cada vez mais empresas tradicionais tem criado mecanismos de aproximação com o ecossistema e programas de conexão com startups dentro de suas estratégias de inovação aberta (open innovation). E isso é maravilhoso! Só aqui na StartSe, em pouco mais de dois anos, já realizamos mais de 40 processos de busca e seleção de startups para se conectarem com empresas e resolverem desafios corporativos, participarem de programas de aceleração e até realizarem investimentos. No final, a busca é por inovação, pois é o único meio de sobreviver à transformação digital e demais mudanças em curso atualmente.

Mas então porque bobagem? A provocação e reflexão aqui é que a expressão dá a entender que esse movimento de aproximação com o ecossistema é algo exclusivo para grandes corporações com grandes estruturas, áreas de inovação constituídas, muitos recursos humanos e financeiros disponíveis para viabilizar essas iniciativas. Em primeiro lugar, porque sempre que ouço a expressão me pergunto: qual o critério para se definir se uma empresa é grande ou não? Claro que existem os critérios óbvios como faturamento, nº de colaboradores, entre outros, e mesmo assim podemos divergir em relação à régua de corte de cada um. Em segundo, porque uma das principais formas de diferenciar uma startup de uma empresa consolidada, por definição, é justamente o fato de a empresa já possuir um modelo de negócio conhecido, enquanto a startup ainda está validando o seu.

Dito isso, entendo que a expressão correta deveria ser “conexão entre empresas estabelecidas e startups”, independente de porte, segmento ou qualquer outro critério. Parece algo sutil, e é, mas o diabo mora nos detalhes. Quantas empresas poderiam se beneficiar desse movimento e não o fazem por acharem que esse tipo de iniciativa não é para elas por não serem “grandes”? Acredito fortemente que os benefícios dessa aproximação e conexão podem e devem ser acessíveis a qualquer empresa – pequenas, médias ou grandes – que queira inovar no seu negócio com o auxílio das startups. Os caminhos e formatos para isso existem.

Consideramos na StartSe que as ações de aproximação com o ecossistema de startups se resumem a 5 formatos, cada um com diferentes tipos de iniciativas. São eles:

1) Criar startups internamente

2) Acelerar startups

3) Contratar startups

4) Investir em startups

5) Adquirir startups

Em novo artigo, que publicarei na semana que vem, vou detalhar cada um desses formatos apresentando um framework que desenvolvemos para ajudar as empresas estabelecidas na definição do formato mais adequado a cada realidade. Sem maiores spoilers, o fato é que o formato mais acessível e democrático de conexão é aquele que objetiva a contratação de startups. E por quê? Dentre as modalidades, é a de menor risco e melhor retorno no curto prazo uma vez que são startups em estágio de maturidade mais avançado, operacionais, com clientes ativos e podem ser uma alternativa “plug and play” para trazerem ganhos de eficiência operacional e financeira por se tratarem de soluções geralmente mais baratas que o mercado e de fácil e rápida integração. De quebra, tendem a fazer isso de forma inovadora.

As novas tecnologias, os novos modelos de negócios – que surgem impulsionados pelas novas tecnologias –, e os novos modelos de gestão, que por sua vez decorrem dos novos modelos de negócios, impactam de forma diferente as empresas. Organizações muito grandes e estruturadas que não se adaptam às mudanças podem sim sofrer com a falta de inovação e perderem relevância ao longo do tempo. Ainda assim, elas têm fôlego financeiro e, por isso, são mais resistentes. Empresas não tão grandes não tem essa mesma condição. Logo, a revolução digital para elas tem um impacto muito mais severo. Por isso, é tão indispensável para essas empresas tenham acesso às startups. A parceria tende a ser benéfica para ambas.

Tem sido fantástico ver o amadurecimento das empresas e a proliferação de iniciativas com o intuito de promover a conexão do mundo tradicional (estabelecido) e das startups. Essa é uma relação que, se bem conduzida, só tem ganhos para todos. E, definitivamente, não deveria ser exclusividade de grandes corporações, mas sim uma forma de promover a inovação com resultados reais para todos os tipos de empresas.

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