Está pronto para se tornar um analista de dados?

O cientista de dados Ricardo Cappra fala sobre o papel das empresas e das pessoas em um mundo repleto de informações e afirma: todo profissional terá de se tornar um analista de dados

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“Se o presente é digital, o futuro será cada vez mais analítico.” Ainda que possa soar anacrônica, a afirmação do cientista de dados Ricardo Cappra valoriza uma das maiores competências humanas diante da distopia robótica que se projeta. Analisar, segundo o dicionário Houaiss, é “submeter à crítica”, uma parte da essência humana.

As máquinas, no entanto, são muito eficientes em analisar dados. Em 2025, segundo o fundador do Cappra Institute e do Cappra Data Science, apenas 3% de todos os dados produzidos no mundo serão analisados – o volume total deve representar algo em torno de 163 zettabytes. Com o avanço e aprimoramento de softwares de machine learning e inteligência artificial, uma escolha deverá ser feita: quem vai analisar esses dados? “Eu espero que a gente escolha os humanos”, brinca.

A urgência da frase e da brincadeira do cientista refletem a necessidade da reinvenção profissional dos tomadores de decisão. “Vamos precisar de mais analistas para poder ajudar a traduzir os dados produzidos pelos cientistas de dados. Mas, em breve, a gente não vai conseguir diferenciar o papel do analista de dados do papel da pessoa de negócios”, prevê.

Mas ora, e qual é o papel do cientista de dados? No início da sua palestra na Campus Party Brasil, no dia 13 de fevereiro – quando conversou com a reportagem da StartSe com exclusividade –, Cappra questionou quantos desses profissionais estavam ali presentes? Das cerca de 100 pessoas, ele identificou quatro, sendo que dois eram de sua equipe.

A ciência de dados é composta por três grandes pilares: a análise de negócios, que é válida para qualquer aplicação, um fazer próximo da análise de dados convencional; somado a um bloco científico mais puro de matemática e estatística; e um último vetor de programação e códigos para dar velocidade aos campos anteriores.

“O papel do cientista de dados é acelerar o processo decisório com uma orientação maior por dados. É reduzir o achismo dentro dos processos [das organizações], aumentar o número de variáveis em cruzamentos possíveis de dados para a tomada de decisões mais certeiras. Em resumo: apoiar as tomadas de decisão”, explica.

Para Cappra, todas as empresas, de agora em diante, vão precisar ser data-driven – orientadas por dados fornecidos ou coletados dos clientes. No entanto, aquelas com núcleos voltados para o desenvolvimento de produtos e inovação irão incorporar os cientistas de dados em seus quadros, sobretudo as companhias com maior capacidade de investimento em pesquisas e no desenvolvimento de metodologias.

Prova disso é que as metodologias criadas no Cappra Data Science – empresa de consultoria, pesquisa e educação no uso de dados –já foram utilizadas por clientes como o Governo dos Estados Unidos, Coca-Cola, F.C. Barcelona, Ambev, Banco Mundial, Globo, Gerdau, Santander, Unilever, entre outras organizações.

Futuro das sociedades e organizações

O crescimento exponencial dos recursos tecnológicos traz consigo uma revolução silenciosa de dados, revela Cappra. As atividades registradas em softwares de dispositivos inteligentes conectados produzem uma somatória gigante de informações, que são armazenadas por governos, empresas e pessoas comuns.

O domínio do Big Data – que é a confluência entre volume, variedade e velocidade de dados – é sinônimo de poder para aqueles que conseguem qualificar e organizar esses recursos, gerando um capital capaz de influenciar pessoas, segmentos ou sociedades inteiras.

Cappra acredita que é um momento histórico de vulnerabilidade porque as pessoas ainda não perceberam o valor do ativo que são as informações geradas por elas mesmo. “Deveríamos ter mais atenção em saber quem está armazenando a nossa informação. Não é apenas sobre segurança, mas também sobre a quantidade de oportunidades que estamos perdendo por não observarmos os nossos próprios dados”.

E essa é uma das missões do Cappra Institute, onde o cientista lidera pesquisas para acelerar o crescimento analítico da sociedade e das organizações com a criação de metodologias que possam simplificar essa realidade obtusa para a maioria da população. “Quando começamos a trabalhar com ciência de dados, a gente era um laboratório que produzia códigos e análises matemáticas e estatísticas. Então percebemos que o problema era cultural. O papel do Instituto é traduzir a ciência de dados para uma linguagem mais comum e para a sociedade poder se apropriar e usar”, explica.

Regulamentação

O escândalo do uso indevido e vazamento de dados do Facebook/Cambridge Analytica jogou luzes sobre o problema global da falta de leis e regulamentação de governos e empresas. Logo, uma discussão também sobre limites éticos das companhias que se valem do Big Data.

Ricardo Cappra defende urgência na criação de regras claras para o uso de dados no Brasil, mas enxerga uma “linha tênue na questão ética”, porque até o ano passado sequer haviam leis consistentes no mundo– a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi aprovada em agosto, mas ainda carece de regulamentação; três meses antes, a União Europeia criou o Regulamento Geral de Proteção de Dados; os Estados Unidos, apesar de debater, ainda possui uma lei específica.

“O problema é que os limites éticos não tinham nenhuma linha de regra. Agora começa a mudar um pouco. Os governos estão se movimentando, ainda que em velocidade lenta. Eu acho que os governos precisam incorporar bons cérebros para discutir a questão. Eles estão num momento de entendimento, o que já é um passo importante para andarmos como sociedade”, reflete o cientista.

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