Metodologia Agile: a organização que torna empresas mais ágeis e eficientes

Entenda como surgiu e se aplica a Metodologia Agile, que organiza empresas da nova economia em equipes autônomas e multidisciplinares

0
shares

Os avanços tecnológicos das últimas décadas estão transformando a sociedade como um todo. A nova economia trouxe produtos inovadores e mudou como as pessoas consomem. Neste cenário, empresas tiveram que se reorganizar internamente para suprir uma nova forma de demanda. Para trazer maior agilidade e eficiência aos processos, surgiu a Metodologia Agile.

O termo não é tão recente: foi cunhado a partir do “Manifesto Ágil”, uma declaração de princípios para desenvolvimento de softwares. O manifesto foi assinado em 2001 por 17 desenvolvedores que buscavam maior agilidade e satisfação dos clientes.

Desde então, porém, os princípios foram adaptados para outros mercados, produtos e empresas. Hoje, companhias inovadoras como Microsoft e IBM utilizam a metodologia em alguns de seus processos. Segundo pesquisa da consultoria QSM, a Metodologia Agile acelera em 50% o tempo para colocar um produto no mercado e aumenta a produtividade em 25%.

Como a IBM, uma empresa de 107 anos, se tornou (mais) ágil

Metodologia Agile

Em linhas gerais, a Metodologia Agile coloca a satisfação do cliente com o produto acima de burocracias e planos pré-estabelecidos. Nesse sentido, o método “aceita” o erro nas primeiras entregas. É mais eficiente entregar o protótipo de um produto de forma rápida, receber um feedback e realizar a manutenção do que buscar indefinidamente um “produto final”. Para tanto, o cronograma de entregas é fragmentado em etapas mais curtas (dependendo do setor, podem ser chamadas de sprints).

Os funcionários são divididos em equipes reduzidas e multidisciplinares: os squads. Dentro deles, não existe uma autoridade fixa. Dependendo do projeto, a pessoa mais especializada pode ser tornar uma referência, mas não se configura como chefia. Cada uma dessas equipes tem autonomia quase total dentro da empresa. Normalmente há um funcionário do squad que concentra o relacionamento com as outras áreas.

Nesse sentido, a Metodologia Agile torna os processos menos mecânicos para os funcionários, e diminui o tempo em que se dedicam a um mesmo projeto. Assim, promove a criatividade e dá às pessoas sensação de realização a cada entrega.

Organizações ágeis

As empresas que adotam a Metodologia Agile têm estruturas idênticas ou análogas aos squads. As formas como essas equipes autônomas e multidisciplinares trabalham, se organizam e se relacionam internamente podem variar. Diversas práticas e métodos foram idealizadas ao longo do tempo para, dentro da Metodologia Agile, dar diretrizes mais concretas aos funcionários.

O método Lean, por exemplo, é muito usado em startups por focar em manter processos – e gastos – enxutos. Ele se atrela ao conceito de MVP (Produto Mínimo Viável), no sentido em que procura desenvolver, em uma primeira etapa, um produto no menor tempo, com o menor custo e tamanho possíveis. São a eficiência e a redução de custo como prioridades.

O método SMART é um exemplo de conceito que, dentro da Metodologia Agile, procura estabelecer objetivos palpáveis para os funcionários e squads. Ele não se refere à organização do material humano, mas das metas das equipes. O método define que toda meta deve ser específica, mensurável, alcançável, relevante e ter um prazo pré-estabelecido.

Case Spotify

Um grande case de sucesso com a Metodologia Agile é o Spotify, que organiza toda a empresa sob as premissas ágeis e definiu alguns dos termos usados hoje no mundo empresarial. A organização do serviço de streaming musical surgiu da união de diversos métodos criados ao longo do século XXI (como o Scrum e o Kanban, dos setores de softwares e logística, respectivamente).

Além dos squads, a empresa sueca criou outros três níveis organizacionais.

As tribes são grupos de squads de áreas correlatas. Equipes de uma mesma tribe têm proximidade física, comunicação recorrente e troca de experiências, embora não se envolvam diretamente com o produto ou objetivo das outras. Uma tribe tem, no máximo, 100 funcionários.

Os chapters, por sua vez, são grupos de funcionários que realizam funções semelhantes em seus squads. Por exemplo, pode existir um chapter formado apenas por engenheiros de softwares de diferentes squads, mas geralmente de uma mesma tribe. Membros de um mesmo chapter se reúnem periodicamente para trocar experiências e discutir desafios.

Por último, o Spotify tem em sua organização as guilds. Estas têm uma formação ainda menos rígida, já que nelas podem estar presentes funcionários multidisciplinares de diferentes squads, tribes e chapters. A função das guilds é realizar encontros para discutir temas relevantes aos profissionais delas e à empresa como um todo.

Comentários

Mais em Nova Economia