Startup MGov usa conteúdo educativo e IA para apoiar o setor público

Govtech já fez parcerias com a Caixa Econômica Federal, Secretaria de Educação de SP e expande negócios até a Costa do Marfim

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A MGov é uma startup, fundada em 2013 por Guilherme Lichand, Marcos Lopes e Rafael Vivolo (foto), que usa inteligência artificial aplicada à economia comportamental – área que estuda os efeitos de fatores psicológicos, sociais, cognitivos, emocionais e econômicos nas decisões de indivíduos e instituições.

A partir da análise de dados, a MGov cria ferramentas educativas, cuja finalidade é tornar a comunicação mais assertiva e eficiente. “Queremos melhorar a sociedade, somos 100% voltados para o impacto social”, explica Vivolo, que também é o CEO da empresa. A MGov criou o conceito de Nudgebots: robozinhos como os chatbots, mas para mudança de hábitos. O principal produto da empresa é o Eduque+. Neste caso, os nudgebots são programados para distribuir conteúdo e atividades educacionais mirando o impacto na mudança de comportamento dos estudantes.

“O Eduq+ nasceu em 2015 a partir de um chamamento da Fundação Lemann, com a proposta de engajar os pais na educação de seus filhos. É um conteúdo socioemocional, com metodologia validada pela Universidade de Stanford, sugerindo como os responsáveis podem se aproximar em cada faixa etária. Os resultados nos mostraram que os estudantes melhoram o desempenho escolar quando os pais estão mais próximos”, afirma Vivolo.

Em 2018, a govtech realizou parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, alcançando 19 mil usuários ligados aos estudantes do 9° ano do ensino fundamental, de 286 escolas selecionadas em sete macrorregiões do estado.

A avaliação de impacto, durante um semestre, foi medida pela Universidade de Stanford: diminuição da taxa de repetência em 33%; aumento de 15% de participação escolar; 25% de aprimoramento de proficiência em matemática; 12,44 reais de retorno sobre investimento para cada real.

A proposta foi tão bem avaliada que, ao final de 2018, a MGov levou o Eduq+ para regiões produtoras de cacau da Costa do Marfim, com apoio da Jacobs Foundation e do Ministério da Educação local. Desta vez, eles selecionaram 5,6 mil pais e mães, e estão testando o envio dos nudgebots agora por mensagens voz, a fim de impactar também familiares não alfabetizados.

Na área de educação financeira, a startup fez uma experiência com a Caixa Econômica Federal, numa iniciativa que atingiu 6,6 mil beneficiários dos programas sociais Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família. No primeiro caso, um dos motes era reduzir a inadimplência dos contemplados a parir de conteúdos educativos, promovendo maior consciência financeira. O trabalho contou com apoio da aceleradora Artemisia e do extinto Ministério do Desenvolvimento Social.

Desafios na relação com o setor público

Segundo Vivolo, o modelo de negócios da MGov é focado na venda direta dos produtos educativos, que tem custo avaliado por usuário mensal – quanto maior o número de usuários, mais barato fica o valor unitário para o contratante –, próximo ao modelo SaaS (Software as a Service). Até hoje, a startup contou apenas com investimento direto de 60 mil reais, feito pelos próprios fundadores.

Se os problemas não são os grandes investimentos e o andamento saudável da operação que ocorre no azul, o CEO é crítico à burocracia dos governos federal, estaduais e municipais para a contratação de inovação tecnológica, feitas através da abertura de licitação.

“Não existe um grande caso de uma startup com venda recorrente para o governo. Existem gestores incríveis que estão acreditando nas startups, tem todo um movimento com o pessoal do BrazilLAB impulsionando o setor público”, afirma Vivolo.

Segundo Vivolo, a MGov e outras govtechs “estão cortando o mato alto”, aprendendo com os erros e acertos, e mostrando para o mercado o que a gente pode fazer pelo crescimento desse ecossistema.

“A gente quer realmente mudar o país, trabalhando pelo governo, que tem muitas coisas para melhorar. É aí que as startups têm que pensar: por que trabalhar com o governo? Porque ele vai ser a grande mola propulsora de impacto social, com capilaridade, para chegar na ponta de quem mais precisa”, complementa Vivolo.

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