Docket usa inteligência artificial para diminuir burocracia em documentos

Pedro Roso, CEO da lawtech, explica como apostar num cenário de crise com apoio de mentores estratégicos ajudou a crescer mais de 150% ao ano desde 2016

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Busca, gestão e pré-análise de documentos. Esse é o núcleo do negócio da Docket, lawtech fundada em 2016 por Pedro Roso (CEO), Flávio Castaldi (COO) e Rodrigo Lopes (CTO), que otimiza processos jurídicos com inteligência artificial e machine learning.

Voltada para grandes empresas, a startup oferece uma plataforma SAAS (Software As a Service), integrada também via APIs. Com o conceito de One Stop Shop, a plataforma permite resolver todas as questões que envolvem a obtenção de documentos diversos. Toda a papelada relativa a junta comercial, ambiental, de prefeituras, matrículas, certidões, CNB, análises de crédito ou de operações de due dilingence, entre outros tantos por todo o território nacional, faz parte do escopo da Docket.

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Segundo os empreendedores, são processos de complexidade elevada que exigem boa segurança jurídica para a concretização das operações. A documentação descrita acima – e sobretudo o seu acesso – é sinônimo de burocracia, o que nenhuma empresa ou pessoa física está disposta a enfrentar em tempos digitais. Operações que levariam 90 dias por trâmite regular, feitas por equipes internas, são convertidas em apenas 10 dias, afirmam.

“Em média, a cada 100 documentos entregues, nós reduzimos cerca de 1.000 horas de trabalho dos times de backoffice. Hoje, temos aproximadamente 30 clientes, grandes empresas com capital aberto, que conseguem fazer mais operações e dar agilidade aos seus negócios com a economia de tempo na viabilização de contratos”, afirma Pedro Roso.

O problema e a solução

Roso e Castaldi se conheceram quando cursavam publicidade e marketing na Universidade Anhembi-Morumbi em 2008 – o segundo largou o curso para seguir carreira na advocacia. A boa amizade, no entanto, fez com que ambos mantivessem contato no passar dos anos. Em um encontro ao final de 2015, Roso se mostrou curioso com a carreira de Castaldi, que enveredara para o segmento do direito imobiliário.

“Cara, o que você faz exatamente?”, questionou o CEO da Docket. A minúcia do relato sobre a prestação de serviços de Castaldi para construtoras imobiliárias intrigou o amigo, que à época trabalhava em uma startup do Grupo Egeu, na parte de aquisições e marketing.

Acostumado com um ambiente de tomada de decisões rápidas, metodologias ágeis e relacionamento com outros empreendedores, Roso indagou o futuro sócio se aqueles processos morosos não poderiam ser otimizados com o uso de tecnologia. Eles, então, especularam cenários em uma planilha e estruturaram um razoável plano de negócios. Eis que entrou o terceiro mosqueteiro na jogada, Lopes, um programador autodidata super disputado pelo mercado, assediado constantemente por propostas de negócios.

“Nosso CTO programa desde os 11 anos de idade. Acho que todo dia alguém chegava para ele com uma proposta mirabolante. Ele disse para nós que iria refletir, mas no mesmo dia, à noite, aceitou embarcar na aventura. Seguimos desenhando o protótipo da Docket aos finais de semana durante quatro meses, enquanto cada um tocava seu trabalho, dando seus pulos. Fazíamos reuniões nas madrugadas para validarmos os desenhos até chegarmos a um MVP”, relembra Roso.

Empreendendo em cenário de risco

No ápice da mais recente crise econômica brasileira, os empreendedores apostaram num modelo exclusivamente business to business (b2b), pensando também nas dores dos clientes, que à época enfrentavam redução nos gastos, cortes de orçamento e dispensas com pessoal. Logo, a Docket visou uma relação ganha-ganha.

“Era um ano muito difícil, mas a gente acreditava muito no nosso propósito. E precisávamos de um modelo de negócios que estabelecesse uma relação justa. Ou seja, se eles não estão fazendo tantas operações, a gente também não poderia jogar a barra de cobrança num valor fixo lá no alto. Já se os negócios deles estão bem, a gente vai bem. Entregamos muito valor, mas preferimos caminhar juntos”, resume Roso.

A startup pede um mínimo de 80 documentos por mês para os seus clientes, que Roso diz ser algo muito fácil de alcançar para as empresas como Tenda, Grupo Sifra ou Árbore Engenharia, que estão no portfólio da lawtech. Esse pacote pode custar uma média de 7,5 mil reais por mês, segundo o CEO, que ressalta não ser uma recorrência fechada, dadas as particularidades na obtenção de cada documento e a complexidade de cada estado da federação.

“Era tudo ou nada. Começamos com um cliente sem contrato assinado, quase que um modelo de bolso, e as coisas foram dando certo. Em três anos, nenhum cliente nos deixou. Foi uma conjunção de momento certo, sorte e estar ao lado de pessoas certas”, diz.

Dentre essas pessoas, a Docket faz questão de louvar os nomes de Allan Kajimoto e Bruno Yoshimura, fundadores da Kekanto, e Gabriel Senra, fundador da Linte, que posteriormente vieram a se tornar os investidores anjo da startup.

“Eles foram nossos mentores, nossos psicólogos. Indicaram como enfrentar alguns caminhos das pedras de que não tínhamos visibilidade alguma. Por mais que você conheça manuais de empreendedorismo, estude, saiba do que se trata, na prática é diferente. Principalmente em rodadas de investimento, que eles nos apresentaram uma visão global de como funciona a dinâmica para startups”, conta Roso.

Em três anos, a Docket captou 12 milhões de reais em investimentos e apresenta crescimento médio de 150% ao ano. Além dos anjos, a lawtech participou de uma rodada Seed liderada por ONEVC e Canary; e outra Series A, capitaneada pela Kaszek Ventures, ambas em 2017.

Cultura forte e fôlego para 2019

Ao final de 2018, a Docket ranqueou em quarto lugar como uma das startups brasileiras mais desejadas para se trabalhar, segundo o LinkedIn. Para o CEO, o recrutamento de pessoas foi um dos principais desafios da lawtech, que preza por um alinhamento de valores baseado em autonomia, senso de urgência, autodisciplina, orientação para resultado e gestão horizontal.

“Revisitamos nossos valores anualmente com nossa equipe para lembrar porque empreendemos. Hoje são 110 pessoas no nosso time, que pretendemos dobrar até o final do ano. A questão de ter aprendido a validar e errar rápido é uma das nossas grandes lições. Conseguimos desenvolver internamente alguns indicadores para saber se estamos no caminho certo”, explica Roso.

Também ao final do ano passado, a Docket foi uma das protagonistas do Google Launchpad Accelerator com o Real Estate Analysis, um protótipo criado pelo laboratório de inteligência artificial da lawtech, que reúne engenheiros, advogados e cientistas da computação.

O mais novo produto da startup promoveu uma rede neural própria baseada em IA, iniciada com testes supervisionados, passando por aplicações de machine learning e deep learning, que a priori apresentava uma taxa de acurácia de 73%, e hoje tem precisão de 93%, informa Roso.

“Não será mais só uma busca por documentos, que somos muito eficientes, mas vamos disponibilizar uma plataforma com maior controle, alertas de vencimentos, centro de custos e determinadas pré-análises. Não vamos interferir na tomada de decisão dos nossos clientes, mas facilitaremos com agilidade e rapidez. Nossos planos estão voltados para trazer cada vez mais tecnologia para que os nossos processos reduzam prazos nas entregas”, conclui.

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