Stone, avaliada em US$ 6bi, mantém alma de startup para continuar crescendo

Em entrevista à StartSe, Augusto Lins, presidente da fintech Stone, fala dos desafios de continuar a crescer rápido, como faz para escalar a operação e da disputa com os grandes bancos

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Os fundadores da Stone, empresa de soluções em pagamentos, não gostam de aparecer em público. Os brasileiros bilionários André Street e Eduardo Pontes “são pessoas bem reservadas que não dão entrevistas e buscam não ter as suas fotos compartilhadas”, informou a assessoria da empresa, quando foi contatada por StartSe, pendindo um entrevista com os fundadores da Stone. Em outubro do ano passado, a ex-startup anunciou sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa norte-americana Nasdaq. Na ocasião, a Stone captou US$ 1,5 bilhão, algo em torno de R$ 6 bilhões.

Um terceiro sócio e cofundador, que também pouco aparece e reconhece não gostar de falar com a imprensa, no entanto, recebeu a reportagem da StartSe no escritório de São Paulo da Stone. “Para quem mais interessa saber o que estamos fazendo, senão os meus concorrentes? Com quem a gente quer se comunicar, nos comunicamos. Se você conversar com nossos clientes, todos nos conhecem”, justifica Augusto Lins, presidente da Stone.

A conversa de quase uma hora evidenciou algumas dessas razões. De acordo com o executivo, o objetivo da empresa, que conta com 3.500 funcionários, é causar impacto social no Brasil, ajudando o empreendedor a vender mais, gerir melhor o negócio e a se conectar com os clientes, seja no mundo físico, digital ou pelos diversos canais que utiliza.

Para isso, além das máquinas de pagamento licenciadas com as principais bandeiras de débito, crédito e voucher, eles oferecem serviços online de gestão financeira – como a plataforma de fluxo de recebíveis, que se vincula, inclusive, com as concorrentes Cielo, Rede e Getnet –, além de consultoria e atendimento expresso e personalizado.

“Cada vez mais, os lojistas são dependentes de um meio de captura eletrônico. Se acontece algum problema, a resolução tem que ser rápida. Não tem cheque ou dinheiro. Agora é plástico, pulseira, digital”, diz Lins.

“Em 2013, quando começamos a desenhar a companhia, percebemos a tendência na digitalização do varejo com uso do cloud computing. A nossa grande disrupção foi a capacidade de atender as novas formas de pagamento com eficiência, inovação e criatividade”, diz Lins, que é engenheiro eletrônico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com MBA pela Universidade de Boston.

Empresa de US$ 6 bi com jeito de startup

Quando realizou o IPO na Nasdaq, a Stone surpreendeu os analistas de todo o mercado financeiro ao vender cada ação por 32 dólares quando o esperado era 24 dólares. A companhia captou 1,5 bilhões de dólares na abertura de capital, alcançando valor de mercado em torno de 9 bilhões de dólares, de acordo com a Forbes. Nesta segunda-feira (11), as ações estão avaliadas em torno de US$ 21 dólares e companhia em aproximadamente US$ 6 bilhões.

Dentre os novos acionistas da “onda verde”, como os fundadores da Stone costumam mencionar, estão a Berkshire, de Warren Buffet; a Ant Financial, subsidiária de pagamento do e-commerce chinês Alibaba; Madrone Capital Partners, empresa que administra parte da fortuna da família Walton, do Wal-Mart, além do fundo brasileiro-americano 3G Capital. A Stone ainda não fechou o balanço financeiro do ano passado, mas até o terceiro trimestre, antes do IPO na Nasdaq, a receita total da companhia aumentou 121,4% em comparação ao mesmo período de 2017, atingindo 414 milhões de reais.

Tal magnitude de uma sociedade de capital aberto, no entanto, não deve alterar o modo de empreender da Stone, que pretende continuar com a cultura de startup, ainda que agora existam novos compromissos de governança e de prestação de contas com investidores. “A gente ainda se considera uma startup, pois gostamos desse jeitão de estar sempre em construção. A gente quer continuar a ser uma empresa pequena nesse sentido, porque é um modelo que a gente olha para os detalhes, controlamos os custos, atualizamos os resultados semanalmente com todos os colaboradores”, revela Lins.

Os clientes tampouco terão menor atenção nessa nova fase da companhia. Para o presidente, que teve passagem pelo mercado financeiro com atuação na Redecard, Unibanco e Itaú, esse mercado de soluções de pagamentos sempre foi pouco transparente com os lojistas, e ser a antítese é um princípio da Stone. “Nosso desafio é continuar a crescer rápido, escalar as operações, mas sem que o café fique aguado, como gostamos de dizer”.

E um cafezinho bem passado cai muito bem com um queijinho de Minas. Tanto é que o primeiro cliente da Stone, o comerciante Geraldo ‘Mineiro’, foi convidado a viajar com os fundadores e equipe para acompanhar o IPO em Nova York. O vendedor de queijos, que começou o negócio há 17 anos com um carro e algumas sacolas térmicas, fez a primeira venda na maquininha verde em abril de 2014, no valor de 99 reais.

“Ele foi a primeira pessoa que apostou na Stone. A gente não esquece dos nossos clientes, somos muito gratos. Nos disseram que seria impossível montar uma adquirente, que seria impossível mudar essa indústria. Como a gente não sabia o que era o impossível, a gente foi lá e fez”, comenta Lins.

Bancos versus fintechs

As principais concorrentes da Stone no mercado de adquirentes são: Cielo, Rede e Getnet, associadas respectivamente ao Banco do Brasil e Bradesco (primeira), Itaú e Santander. Estima-se que juntas detenham 80% das transações eletrônicas via maquininhas.

Denúncias de condutas anticompetitivas dos bancos no segmento de pagamentos têm sido analisadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, como a venda casada serviços bancários e contratos abusivos.

Segundo Augusto Lins, essas acusações já se tornaram comum e não partem necessariamente da sua empresa, mas sim dos varejistas que se sentem lesados com tais práticas. “Os jornalistas gostam de questionar se é a fintech ou o banco que vai vencer [disputas no mercado financeiro], mas eu acho há espaço para todos”, contemporiza.

“Mas existe uma discussão sobre a verticalização do setor financeiro. E realmente o banco está em muitas coisas ao mesmo tempo. Agora é um momento de especialização por ramo e o banco não pode se especializar em tudo. Até pouco tempo atrás, era uma maquininha para todos, hoje o mercado demanda soluções customizadas”, analisa.

O presidente da Stone não se abala com as disputas e segue confiante nos produtos da fintech. “Os clientes afirmam que somos mais ágeis e eficientes. Essa é uma das belezas da competição, que demanda inovação e redução de custos. A gente gosta muito de competição”, conclui.

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